Assim na terra como embaixo da terra (Ana Paula Maia)

Título: assim na terra como embaixo da terra
Título Original: assim na terra como embaixo da terra
Autor: Ana Paula Maia
Ano de Publicação Original: 2017
Ano de Publicação desta edição: 2017
Editora: Record
Número de Páginas: 143
Palavras-chave: literatura brasileira / literatura nacional / colônia / colônia penitenciária

 *Exemplar cedido pela editora
Resenha por Barbara Filippini.
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Confesso que fui atraída primeiramente pela capa (feita pelo Leonardo Iaccarino) e só depois a sinopse me fisgou… porém, quando criamos muita expectativa em cima de uma leitura o risco de se enganar com o resultado é muito maior. Com esse livro foi assim. Eu não diria que foi uma leitura ruim, até que foi uma leitura agradável – só que aí é que está o problema: foi uma leitura regular para um tema denso e que poderia vibrar em outras frequências.

O enredo indica o seguinte: presos que passaram diversas vezes por “mal comportamento”, ou simplesmente acabam sendo manejados por vontade de certas pessoas, são mandados para o colônia, penitenciária que supostamente foi criada para restaurar o preso socialmente. Lá existem muros de seis metros de altura por dois de largura por todos os lados e ainda bem lá em cima há uma cerca elétrica, para que não haja fuga. Não bastasse isso, os presos também possuem tornozeleiras. Porém, coisas estranhas começas a acontecer e desestabilizam a normalidade pressuposta para uma penitenciária. É a partir desse ponto que a história se desenrola com os pontos chaves.

“Uma colônia penal isolada – um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos –, construída para ser um modelo de detenção do qual preso nenhum fugiria, torna-se campo de extermínio. Espécie de capitão do mato/carcereiro, Melquíades é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia”

Ok. Uma talvez crítica ao modelo penitenciário, crítica ao fato de que policiais matarem está “ok”, mas bandidos matarem aí merecem ser mortos (não entrarei nesse tópico senão partiremos para um debate social e filosófico beeeem extenso). Pode ser que a autora tenha pensado em algum desses quesitos? Pode… mas nada fica claro além da narração em cima da história dos personagens. Não há um além para abstrair aqui não.

Bem, senti que a autora poderia ter desenvolvido melhor o texto, senti muita repetição e não, não é aquela repetição boa para a estrutura da narrativa… é uma repetição de conteúdo explícita, em um livro que já é curto, em momentos desnecessários.

Mas o que mais me decepcionou, em um nível beeeem grande, foi o fim… pensei que talvez de acordo com o rumo da narrativa pudesse haver uma costura final meio toque de midas ou à lá Kafka com o seu brevíssimo porém poderosíssimo “A Metamorfose”. Mas esse final sonhado não veio… desculpem o termo chulo, mas veio um final meio-bosta. Foi com essa sensação que acabei a leitura. Triste por pensar que com um enredo desse o livro poderia ter sido muito mais e não foi, poderia ter sido melhor estruturado e melhor finalizado e não foi. Só o que posso dizer é que valeu a leitura de mais uma autora nacional e conhecimento de estilos de escrita.

SOBRE A AUTORA – ANA PAULA MAIA

Ana-Paula-Maia-1foto-de-Marcelo-Correa-225x300Nasceu no Rio de Janeiro em 1977. É escritora e roteirista. Tem cinco romances publicados, destacando-se “entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, “carvão animal” e “de gados e homens”, também publicados pela editora Record. Tem livros traduzidos na Alemanha, Estados Unidos, Sérvia, França, Argentina e Itália.

2 opiniões sobre “Assim na terra como embaixo da terra (Ana Paula Maia)”

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