A escrita fluída de Moacyr Scliar

Título: A Orelha de Van Gogh
Título Original: A Orelha de Van Gogh
Autor: Moacyr Scliar
Ano de Publicação Original: 1989
Ano de Publicação desta edição: 2011
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 163
Palavras-chave: Contos / Contos Brasileiros / Literatura Brasileira

capa livro a orelha de van gogh
Foto: Barbara Filippini.

Resenha por Barbara Filippini

A palavra que mais define a escrita de Moacyr é fluidez. Esse livro traz uma série de contos simples e fluídos, a leitura do livro inteiro pode ser concluída em duas horas. Deliciosamente bem escrito cheio de histórias que tratam do cotidiano de forma lúdica. Este livro foi vencedor do prêmio Casa de Las Américas de 1989.

Aqui contamos com 24, do que poderíamos chamar, de “microcontos”. Ambientados das mais diversas maneiras sempre apresentam personagens pensativos e pitadas de pensamento profundo agora por parte do leitor interpretativo. Apesar do conto “A Orelha de Van Gogh” dar nome ao livro, este não foi o meu conto favorito. O que mais gostei foi “As Pragas”, conto que está logo no início da leitura.

“(…) Como que em resposta às suas queixas apareceu, no dia seguinte, um enviado do governo. Nós o conhecíamos: era um antigo vizinho, apelidado Manco, porque tinha um defeito numa perna. Não podendo trabalhar, esse homem se dedicava à magia. Verdade que sem muito sucesso, mas, como tinha bons contatos, conseguira um alto cargo na administração central. E agora enviavam-no para verificar a situação.
Nós o acompanhamos, enquanto ele, penosamente, caminhava ao longo do rio, tropeçando de vez em quando nos batráquis, amontoados na areia. Quanta rã, exclamava, admirado, quanta rã.
– E então? – perguntou nosso pai, impaciente, ao término da inspeção. – É possível fazer alguma coisa?
– Certamente – sorriu. – Assim como elas apareceram, podem sumir.
– E como é que apareceram? – insistiu nosso pai.
– Não sabem? – ele, surpreso. – é uma praga. Daqueles que trabalham na construção de monumentos. Estão revoltados; e dizem que o deus deles está nos castigando. A nós, os poderosos! Vejam que atrevimento.
Nosso pai estava perplexo. Nunca apelava a divindades; não lhe parecia justo. Achava que o ser humano tinha de sobreviver por suas próprias forças, sem auxílio de entidades misteriosas. De outra parte: poderosos, nós? Nós que trabalhávamos arduamente, que não explorávamos ninguém? Perplexo e revoltado, meu pai. (…)” p. 16-17

Scliar infelizmente nos deixou cedo. Faleceu com 74 anos, em 2011. Porém ele nos deixou o presente de um trabalho incrível: mais de 70 obras escritas. Felizmente cheguei a conhecer o Moacyr Scliar quando eu ainda era adolescente. Nesta época eu já escrevia em alguns cadernos e alguns textos esparsos e ele me incentivou a continuar. Guardarei para sempre com muito carinho a recordação.

moacyr scliar e eu
Moacyr Scliar e eu, em 2007. Nesta foto eu estava com 14 anos. (Arquivo Pessoal)

SOBRE O AUTOR – MOACYR SCLIAR

moacyr-scliar-foto-de-lisette-guerra1Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre em 23 de março de 1937 e faleceu em 27 de fevereiro de 2011. Foi médico e escritor brasileiro. Formou-se em Medicina e trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário. Sua prolífica obra consiste em contos, romances, ensaios e literatura infanto-juvenil. Também ficou conhecido por suas crônicas nos principais jornais do país.(Foto: Lisette Guerra.)

Para mais informações sobre o autor e suas obras acesse o site: http://www.moacyrscliar.com/

 

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