o diário do diabo capa

O Homem que moldou Hitler

Título: O Diário do Diabo – Os Segredos de Alfred Rosenberg, o maior intelectual do nazismo
Título Original: The Devil’s Diary: Alfred Rosenberg and the Stolen Secrets of the Third Reich
Autores: Robert K. Wittman & David Kinney
Tradutora: Cristina Cavalcanti
Ano de Publicação Original: 2016
Ano de Publicação desta edição: 2017
Editora: Record
Número de Páginas: 460
Palavras-chave: História / 2ª Guerra Mundial / Nazismo / Antissemitismo

o diário do diabo capa
Capa do livro “O Diário do Diabo” de Robert K. Wittman e David Kinney. (foto: Barbara Filippini)

Resenha por Barbara Filippini.

Acabei a leitura desse livro em lágrimas e com um nó na garganta. Além de caminhar por entre as palavras espinhosas de Rosenberg, a partir de um diário antigo dele que sobreviveu, também consegui me ver inserida em plena guerra e por isso tive que ir digerindo o livro aos poucos. Vi as formas que as pessoas eram mortas, vi as valas, vi as câmaras de gás… vi a entrada dos campos de concentração e vi os sapatinhos deixados do lado de fora –um adeus para o mundo em forma de uma mensagem visual: “aqui me despeço da vida”.

O tema, que abarca principalmente o antissemitismo, me comove sobremaneira. Meus antepassados sofreram muito por isso e sinto, mesmo que apenas em pensamento, um pouco do eles passaram. Eu, com a aparência notadamente “judia” (branca, olhos claros e cabelos negros) seria uma presa fácil para os nazistas. Às vezes me pego pensando em como é incrível a genética e em como isso, se for usado de modo distorcido, pode desencarrilhar milhares de motivos torpes que servirão de base para atrocidades – e é assustadoramente triste! Triste e ainda realidade palpável para muitas etnias.

alfred rosenberg
“Em 1923, um dos que desertaram, Otto Strasser, afirmou que ele [Rosenberg] era “certamente o cérebro por trás de Adolf Hitler””. P. 88 – (Foto: Bundesarchiv, Bild 146-2005-0168/Heinrich Hoffmann)

Rosenberg era uma das maiores “cabeças” do nazismo, chegando a ser motivo de piada dentro e fora do partido por escrever tantas teorias e nada conseguir fazer na prática e desandou para o caminho da distorção. Ele se utilizava de grandes nomes da arte ou da escrita para fazer textos afirmando o nazismo como necessário para o bem da humanidade. Para ele, os judeus eram uma espécie que deveria ser extirpada da face da terra. Não só os judeus, também outras minorias de ciganos e negros. Ao passar da leitura vê-se a construção desse pensamento tacanho e absurdo. Foi dele que Hitler extraiu boa parte de seus pensamentos antissemitas e racistas.

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Rosenberg (à esquerda) e Hitler, em Munique, durante a tentativa de golpe na Bürgerbräukeller, em novembro de 1932. (Keystone/Getty Images)

Rosenberg também chegou a ter planos também de criar um novo “Hohe Schule” (Ensino Médio) e para isso, com ajuda da Gestapo, SS, polícia militar secreta e apoio de Hitler, ele mandou saquear bibliotecas e coleções privadas por toda a Holanda, Bélgica e França. Desta forma, poderia criar um bom acervo para incutir a “Filosofia” nazista nos jovens. Os nazistas também saquearam sítios históricos significativos para o povo russo.

“Saquearam a antiga residência do poeta Alexandre Pushkin. Estacionaram suas motocicletas dentro da antiga residência de Tchaikovski. Queimaram manuscritos raros de Yasnaya Polyana, a casa de Tólstoi. (…) Pilharam bibliotecas palacianas, museus e arquivos do Partido Comunista e confiscaram centenas de milhares de livros. (…) Nem todo o butim sobreviveu. Dezenas de milhares de livros considerados sem valor foram destruídos. Rolos de Torá confiscados em uma operação não despertaram interesse no escritório de Rosenberg. (…) eles deveriam ser desmanchados para reutilizar o couro na encadernação de outros livros ou para fazer cintos e sapatos:” p. 325.

Também é possível aprender sobre a segunda guerra como um todo e um pouco mais sobre a atuação de Goebbels, Himmler, Hitler entre outros. Descobre-se como se estabeleceram a SS e a Gestapo e como atuavam polícia e milícia em nome do partido.

“A purga tornou Himmler mais poderoso do que nunca. Hitler elevou o status da SS acima dos milicianos (…) Ele supervisionava não só sua adorada SS, a Gestapo e a polícia política em toda a Alemanha, mas também uma rede crescente de campos de concentração, onde inimigos do Estado eram confinados. Em pouco tempo ele tinha o controle total do aparato de segurança nazista, e o empregava impiedosamente para impor sua vontade.” p. 151

A vida de Robert Kempner também fica bastante evidente no livro, visto que ele chegou a ser conselheiro-chefe assistente no tribunal militar criado em Nuremberg logo após a guerra. Também ficou muito conhecido por ter sido advogado de muitas pessoas que sofreram os efeitos danosos do holocausto.

“Kempner foi advogado de parentes de vítimas em uma série de julgamentos de destaque durante a década. Defendeu o pai de Anne Frank e a irmã da freira carmelita Edith Stein em um caso contra três oficiais da SS, acusados de exterminar milhares de judeus holandeses. Representou a viúva de um jornalista pacifista assassinado pela milícia nazista em 1933. No julgamento de um comandante da Gestapo, Otto Bovensiepen, falou por 30 mil judeus berlinenses cuja deportação para o leste havia sido orquestrada pelo réu.” p. 30

O livro é maravilhosamente bem escrito e me vi viajando por esses anos tão tristes da nossa história mundial. É impossível pensar com clareza como os campos de concentração matavam tantas pessoas, em certos locais eram mortos dentro dos “banhos” duas mil pessoas por vez! Os campos de concentração com câmaras de gás não foram realidades desde sempre na segunda guerra mundial, eles começaram a surgir somente no final da guerra quando foram construídos os campos de concentração na Polônia. Anteriormente utilizavam valas, amontoavam corpos nas ruas e os primeiros passos em direção à morte química foram testados com caminhonetes pretas de janelas fechadas.

“Caminhonetes pretas de janelas fechadas começaram a patrulhar as ruas à noite e deter judeus, partisans, crianças perdidas. Aterrorizados, os que estavam no gueto descobriram que os veículos eram uma experiência de gaseamento: tinham sido raptados de modo que a exaustão ia para a carroceria de carga selada na traseira, asfixiando os passageiros. Os judeus apelidaram as caminhonetes de “destruidoras de almas”.” p. 284

O livro também nos submerge em uma profusão de conteúdos a serem contestados e explorados. Até que ponto o ser humano vai quando lhe dão “poder” e “liberdade”? Como nós nos portamos em meio à sociedade para evitar que atitudes assim voltem a ser perpetradas? Sem dúvida alguma vale e MUITO a leitura desse livro!

SOBRE OS AUTORES – ROBERT K. WITTMAN & DAVID KINNEY

robert witttman david kinneyRobert K. Wittman fundou a Equipe de Crimes contra a Arte do FBI e foi expert da agência para crimes de propriedades culturais. É presidente da Robert Wittman Inc., especializada em proteção e recuperação de obras de arte, e autor do best-seller “Infiltrado: a história real de um agente do FBI à caça de obras de arte roubadas”.

David Kinney é repórter e escreve para inúmeras publicações, inclusive o New York Times. Vencedor dos Prêmios Pulitzer, é autor de “The Big One: An Island, an Obsession, and the Furious Pursuit of a Great Fish” e “The Dylanogists: Adventures in the Land of Bob”.

6 opiniões sobre “O Homem que moldou Hitler”

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