fantasia bruno munari

Sobre fantasia, invenção e criatividade!

Título: Fantasia
Título Original: Fantasia
Autor: Bruno Munari
Tradutor: José Jacinto Correia Serra
Ano de Publicação Original: 1997
Ano de Publicação desta edição (Portugal): 2007
Editora: Edições 70
Número de Páginas: 222
Gênero: Arte / Educação

fantasia bruno munari
Resenha por Barbara Filippini

Neste livro Munari nos abre as portas para o questionamento e construção de algumas palavras relevantes nas comunicações visuais. São elas: fantasia, invenção, criatividade e imaginação.

Ele tenta apresentar uma introdução acerca da compreensão e funcionamento dessas faculdades e em como operam ou em qual grau se ligam à memória e à inteligência.

Temos um coletivo de conhecimentos que vão se estabelecendo em nosso pensar desde quando somos novos e deles nos utilizamos sempre que necessário. Quando tocamos esse ponto em relação às comunicações visuais podemos começar a compreender o que vem a ser fantasia. Na fantasia há liberdade, a qual de certa forma não se vê tão livre porque está atrelada a pré conhecimentos da memória. É dela que nos utilizamos para fazer algo totalmente livres dentro de nossas possibilidades e sem nos ligarmos para se é algo efetivo ou não.

Já a invenção é justamente a parte em que criamos, mas aí sim nos importamos com a efetividade da produção, normalmente sem nos preocuparmos com a estética. Aí entra a criatividade, que une a fantasia à invenção e traz a inovação. Para tanto é preciso que a imaginação seja desenvolta.

Tem-se bem clara a síntese da obra de Munari no trabalho de Beatriz Tati Nóbrega, em seu estudo intitulado “Uma Reflexão se o diálogo entre palavra e imagem construído na obra literária infantil estimula o desenvolvimento da imaginação”.  Segue abaixo:

Imaginação é o meio para tornar visível o que pensa a fantasia, a invenção e a criatividade. Em algumas pessoas a imaginação é ativa, desenvolta, em outras ela é carente. Existem pessoas que tornam visível as pessoas carentes de imaginação aquilo que é fantasia, a criatividade e a invenção pensam (pensado pelo projetista). Após definir tais conceitos, Munari os separa em dois grupos; Fantasia, invenção e criatividade produzem qualquer coisa que anteriormente não existia para a pessoa, é uma novidade pessoal, elas criam relação com as coisas que existem. Imaginação pode imaginar qualquer coisa que já existe, mas que no momento não está disponível entre nós. Ela não é necessariamente criativa. Há certos casos em que a imaginação não consegue tornar visível um pensamento fantástico.

Além dessas definições o autor reflete sobre a cultura, a educação infantil, a sociedade e a responsabilidade social, liberdade e autonomia.

Comecei, então, a questionar sobre a importância da cooperação, do compartilhamento que são o fundamento de uma sociedade e que são competências essenciais na atividade de um designer.

Segundo Munari, a cultura é construída a partir de conhecimento e quem conhece pouco conseqüentemente tem pouca fantasia. O conhecimento e a habilidade de criar relações entre esses conhecimentos é o que origina a fantasia, invenção e a criatividade.

É por essa razão que ele coloca que o alargamento do conhecimento e da memorização deve ser feito naturalmente na idade infantil através, por exemplo, de jogos. O jogo permite que as crianças intervenham, participem, ponham em ação as suas fantasias para resolver problemas simples ou visualizar ações diferentes. Habituar crianças a refletir sobre a transformação das coisas significa ajudá-las a formarem uma mentalidade mais flexível e abrangente. Dessa maneira que as pessoas passam a compreender, solucionar problemas e desvendar mistérios ganhando autonomia.

O autor afirma que o indivíduo forma-se nos primeiros anos de vida e assim permanecerá durante toda a vida e que depende dos educadores se a criança será mais tarde criativa ou repetidora de códigos. Tudo que a criança memoriza permanecerá na sua memória e formará sua personalidade. Depende da experiência e da memorização dos dados se o indivíduo vai ser livre ou condicionado, ele coloca essa questão com uma responsabilidade social. Depende de nós, adultos, transmitir às crianças os dados que as ajudarão a compreender e a viver com os outros de um modo criativo, o indivíduo em idade infantil não deve ser sufocado por imposições, constrangido em esquemas que não são seus, obrigado a copiar modelos.

Munari fala de um ser criativo como livre de preconceitos e flexível voltado para a coletividade e que facilmente se adapta as transformações.

Voltando a responsabilidade social e a cultura, o autor defende que a cultura popular é uma manifestação contínua de fantasia, criatividade e invenção e que a tradição é a soma, em contínua transformação, dos objetivos úteis para as pessoas. Limitar-se a repetir um valor, sem fantasia, não significa continuar a tradição, mas travá-la, fazê-la morrer. A tradição é a soma dos valores objetivos da coletividade e a coletividade deve renovar-se continuamente, se não quiser depauperar-se. Ele coloca a importância dos indivíduos criativos no desenvolvimento cultural da coletividade.

Ao final do livro Munari propõe uma série de exercícios para estimular a criatividade de crianças que ele experimentou dentro de uma escola.

SOBRE O AUTOR – BRUNO MUNARI

Bruno_Munari_1Nasceu em 24 de outubro de 1907 e faleceu em 30 de setembro de 1998, em Milão. Foi artista e designer italiano, contribuiu com fundamentos em campos das artes visuais (pintura, escultura, cinema, design industrial, gráfico) e também outros tipos de arte (literatura, poesia, didática).

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