Capa Botchan Estação Liberdade

Botchan (Natsume Soseki)

Título: Botchan
Título Original: Botchan
Autor: Natsume Soseki
Tradução: Jefferson José Teixeira
Ano de Publicação Original: 1906
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2016
Editora: Estação Liberdade (Para adquirir clique AQUI)
Número de Páginas: 184
Gênero: Romance / Literatura Japonesa

Capa Botchan Estação Liberdade
Foto: Barbara Filippini

Resenha por Barbara Filippini

Natsume Soseki é um dos meus autores japoneses preferidos, assim como Yasunari Kawabata (veja um livro resenhado aqui) e tantos outros. Soseki, autor das aventuras de um felino japonês que resolve retratar seu cotidiano em “Eu sou um gato”, escreveu um ano após o livro “Botchan” (1906). Ambas leituras maravilhosas.

Natsume é de uma simplicidade magistral, consegue trazer a abstração mesmo fluindo e usufruindo de poucas palavras. Faz com que formemos uma opinião construída sem atropelos ao longo da trama como uma película transparente, opinião essa que não necessariamente seja o preto no branco do que o texto diz, mas sim algo além, quiçá universal. E isso tudo é que faz o texto maravilhoso. Além disso, a história nos faz rir bastante ao testemunhar a crueza e inocência do personagem principal, o Botchan.

Há muito humor em Botchan, em especial nas passagens em que o nosso mestre é flagrado em restaurantes locais devorando tigelas de lámen e tempurás; entre atônitos e perplexos, os estudantes veem aquele glutão insaciável como um ser de outro planeta. Mas não se deixe enganar: não há superficialidade no texto de Soseki, mas camadas de significados. Rimos das reações explosivas do personagem, mas um riso contido, quase nervoso, talvez por nos identificarmos, mesmo de forma inconsciente, com alguns dos sentimentos – negativos – que o personagem não consegue reprimir: o ressentimento, a ira, a angústia, o desencanto. Botchan é, portanto, uma leitura bem mais complexa do que “o relacionamento difícil entre professor e alunos” que sua sinopse possa sugerir: a falibilidade de seu protagonista é reveladora da condição humana. O que não é pouco.” Fábio Fujita, Editor da Editora Estação Liberdade – leia o texto completo aqui 

Sinto que esse livro, se analisado dentro do contexto de vida do Soseki, foi escrito para nos passar uma mensagem: “cuidado! Ser puro, sincero e inocente demais nesse mundo pode fazer com que as pessoas abusem de você!”. Ora, nada mais atual mesmo tendo sido escrito há tanto tempo, não é? É de fato um livro atemporal e universal e explora as facetas do comportamento humano.

Botchan, à primeira vista – e à vista que ele se coloca na narrativa feita em primeira pessoa – é alguém que reclama de tudo e não tem grandes ambições. Sua família até certo ponto não se importa com ele e com o passar dos anos, após estudos, ele se vê indo dar aula de matemática em uma ilha distante de Tóquio, chamada Shikoku.

Filho de Edo, tal qual se intitula, ele sente na pele o que é viver no interior e a partir dali começa a se questionar em diversos aspectos que antes não fazia esforço para compreender. Botchan nasceu em uma Tóquio pós período Meiji, no qual o imperador morava no castelo Edo, daí o fato de apontar ser “filho de Edo”. Portanto, já nasceu acostumado com “ocidentalidades”, porém ainda deixa transparecer certos preconceitos e apego à costumes antigos – equiparando-se ao próprio autor.

Com a leitura eu senti que o “reclamar” de Botchan era mais pureza e busca pela sinceridade do que maldade, aliás, penso até que não havia maldade nele. Passa-me a impressão de que ele acreditava que as coisas poderiam ser mais simples se as pessoas fossem diretas e falassem a verdade, se agissem claramente umas com as outras sem usar subterfúgios.

botchan cadão volpato folha de são paulo
Reportagem sobre “Botchan” escrita por Cadão Volpato para a Folha de São Paulo.

SOBRE O AUTOR – NATSUME SOSEKI

natsume sosekiNatsume Soseki foi o pseudônimo de Natsume Kinnosuke (sobrenome + nome). Ele nasceu em 9 de fevereiro de 1867 e viveu até 9 de dezembro de 1916. Foi escritor e filósofo da era Meiji, muito conhecido no Japão já foi até já impresso na cédula de 1000 yens.

Nasceu em uma família de samurais em Edo, atual Tóquio. Ingressou, aos 23 anos, na Universidade Imperial (atual Universidade de Tóquio) para estudar literatura inglesa. Antes de se formar passa a lecionar inglês e a assinar seus escritos como “Soseki”, que em chinês quer dizer “incômodo”. Chega a viajar para a Inglaterra como bolsista em 1900, mas não se adapta e retorna em 1903.

Sua obra de estreia foi “Wagahai wa neko de aru” (“Eu sou um gato”, publicado no Brasil pela Editora Estação Liberdade) em 1905. Abandona o ensino e dedica-se totalmente à literatura tornando-se colaborador exclusivo do diário Asahi Shimbun. Sofria de crises de úlcera, o que viria a trazer complicações e sua posterior morte em 1916.

Foi autor de 14 romances, entre os quais: “Botchan” (1906); “Sanshiro”; “Sorekara” (1909); “Mon” (1910); “Kokoro” (1914); “Michikusa” (1915).

Mais informações:
Livros do autor lançados pela Editora Estação Liberdade 
Informações sobre Natsume Soseki (Wikipedia) 
Informações sobre Castelo Edo (Wikipedia)
“Botchan” na Folha de São Paulo
Opinião dos editores de “Botchan”, Editora Estação Liberdade
Para adquirir clique aqui 

Comente aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s