Arquitetura do Mofo (Alexandre França)

Título: Arquitetura do Mofo
Título Original: Arquitetura do Mofo
Autor: Alexandre França
Ano de Publicação Original: 2015
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2015
Editora: Encrenca – Literatura de Invenção
Número de Páginas: 214
Gênero: Literatura Brasileira

arquiteturadomofo

Resenha por Barbara Filippini

Intenso! Vivi esse livro por três dias, posso até dizer que o sonhei também durante as horas em que não estava propriamente no sonho vivo do ler. O movimento dessa escrita parece se entranhar em você e lhe cutucar lá nos mais recônditos pensamentos. E isso, fique claro, não é de maneira alguma ruim. É esplêndido!

Que belo presente achei por entre diversos livros expostos nas prateleiras da livraria. Um autor curitibano (cidade na qual nasci e vivo) do qual eu nunca havia ouvido falar e me chegou assim com essa edição tão maravilhosa, que aguça a vontade de ler, e esse texto tão extático que nos deixa em pleno estado de admiração!

Estou a escrever sobre este livro em plena madrugada de sexta porque foi agorinha pouco que terminei a leitura e porque já quero expressar todo esse torpor. Você já se sentiu inundado por algum assunto de modo a tê-lo até em seu inconsciente? Esse livro faz isso. Tomado de temáticas gritantes do viver humano, estoura uma ferida em nossa cara assim mesmo, com essa sensação de necessidade de fazer alguma coisa com tudo isso que jorra de todos os cantos. Necessidade de sarar, mas também de viver com os ranços que o caminho nos impõe. Necessidade de morte por ver morrer o que de melhor deveria se viver; necessidade de vida por ver viver o que de pior deveria se morrer.

Caminhe, caminhe com todo esse barulho que vai rolando em sua bagunça. O mofo, sim… a arquitetura do mofo vai formando um mapa tão vivo de morte em meio à transformação. A arquitetura nunca é muda e muda, ela nunca é estática.

A dor, o viver, o morrer, sem tempo linear. Sentir a tudo e a tudo deixar ir. O que se passa no fervor das nossas mentes, silenciosas aos olhos, traz a cor do nosso mundo; vê-se cinza, vê-se mofo, vê-se amarelo, mas aos poucos já não reconhece… O viver é esquecer-se sempre de quase tudo o que se vê, para conseguir guardar aceso o questionamento. Questionar e requestionar em um processo de demência sim sim sim, pois quando não mais se pensa há o fim da carne e há o fim de tudo.

Pense, repense, questione. Destaque, apague, movimente. Integre, reintegre, recorte. Sem igual, sem mesmos passos no mato já morto por tantos pés que tornaram o caminho terroso. Corte-se no bambuzal novo, conheça você também novas leituras, olhares, viveres.

SOBRE O AUTOR – ALEXANDRE FRANÇA

alexandre frança livro arquitetura do mofoNasceu em Curitiba em 1982. Compositor de música, poesia, prosa e teatro, é também diretor da companhia Dezoito Zero Um e do Coletivo de Heterônimos. Atualmente reside em São Paulo. (foto retirada do facebook oficial do autor, feita por Victor Ribeiro; e informação biográfica retirada do livro)

Mais informações:
Matéria no Jornal Paranaense Gazeta do Povo, coluna Caderno G (Escrita por Sandro Moser em 16/12/2015).
Link do livro no Skoob
Link da editora “Encrenca” com informações sobre o livro
Vídeo Teaser do Livro

Você pode gostar...

1 Resultado

  1. Gostei do título e de sua resenha. Já vai para a lista de aquisição!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *