O Mundo Sombrio de Coraline

Título: Coraline
Título Original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Ilustrações: Dave McKean
Tradução: Regina de Barros Carvalho
Ano de Publicação Original: 2002
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2003
Editora: Rocco (Selo Jovens Leitores)
Número de Páginas: 159
Gênero: Literatura Infantojuvenil

Resenha por Barbara Filippini 

Livro Coraline (Neil Gaiman) - Foto: Barbara Filippini.

Livro Coraline (Neil Gaiman) – Foto: Barbara Filippini.

Neil Gaiman é amplamente conhecido pelo gênero terror com um toque de sobrenatural – aura de leitura que ele consegue infligir muito bem no leitor. Junto ao ilustrador Dave McKean ele cria maravilhosas viagens literárias. Coraline não ficou de fora dessa gama do macabro. É de leitura fácil e relativamente curta com suas 159 páginas, porém não se deixe enganar: a história consegue deixar quem o lê preso à trama sem vontade de soltar.

Coraline nos dá a sensação de “já vi isso antes”, porém com um toque de novidade que o torna único. A sensação de conhecimento prévio se deve ao fato da obra passear pelo universo de Alice no país das maravilhas, Nárnia e até mesmo pelas linhas de Terry Pratchett (conheça um pouco do Terry aqui e aqui) – mas não quero dizer com isso que ele cite ou se utilize dessas histórias, mas sim pelo fato de também trazer o fantástico de forma maravilhosa ao leitor.

Coraline descobre uma porta inutilizada na casa que vai morar. Aparentemente a porta é fechada por tijolos, mas depois ela percebe que a porta a leva para uma outra versão da sua própria casa – versão esta, a primeira vista, melhor. Quase um mundo paralelo. Lá ela também encontra seus outros pais, versões “melhoradas” dos seus pais verdadeiros, eles têm botões nos olhos e são mais divertidos, fazendo tudo que ela quer. Só que as coisas começam a se tornar meio estranhas…



O livro é classificado como infantojuvenil, mas pode ser lido por todas as idades. A principal lição ao se tirar dessa história de terror para crianças é: nem sempre ter tudo que queremos é algo bom e que perseverar e seguir em frente por nós mesmos e por quem amamos é uma das coisas mais belas da vida. Já para os adultos existem algumas coisas que podem ser pensadas subliminarmente…

“- Porque – disse ela – quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem.” P. 59

Essa história também foi transformada em filme, quadrinhos e jogo eletrônico. O filme, no formato de animação stop-motion, foi lançado no início de 2009 pela focus features e dirigido por Henry Selick, tendo sido aclamado pela crítica. Teve como dubladores Dakota Fanning (para o papel da Coraline), Teri Hatcher, Dawn French, Jennifer Saunders e Ian McShane. O orçamento foi de 60 milhões de dólares. Já a história em quadrinhos foi feita pelo ilustrador P. Craig Russell.

O filme muda alguns aspectos em comparação ao livro. A aura de terror está muito mais presente na obra escrita que no stop-motion, que acaba por tornar Coraline um pouco mais simpática, além de ter um apelo mais infantil e descolado da realidade. No livro a sensação é mais no sentido de extensão da realidade, deixando a impressão de que realmente poderíamos abrir uma porta secreta em algum lugar e nos depararmos com esse tipo de “upside down” (mundo paralelo).

Outros aspectos deixados em suspenso no filme, e também no livro, são assustadores e sombrios. Há ao longo da história um gato preto, que supostamente ajuda Coraline, que deixa claro que os gatos são mais íntegros que os humanos e podem transitar entre mundos, também afirma que os gatos não necessitam de nomes. Essa passagem ocorre no livro entre as páginas 41 e 42:

“- Gatos não têm nomes – disse.
– Não? – perguntou Coraline.
– Não – respondeu o gato -. Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.
Havia algo irritantemente arrogante no gato, Coraline concluiu. Como se fosse, em sua opinião, a única coisa em qualquer mundo ou lugar que pudesse ter alguma importância.
Metade de Coraline queria ser rude com ele, a outra metade queria ser educada e respeitosa. A metade educada venceu.
– Por favor, que lugar é esse?
O gato olhou rapidamente ao seu redor.
– É aqui – respondeu.
– Isso eu posso ver. Bem, como você chegou aqui?
– Do mesmo modo que você. Eu caminhei – disse o gato – Assim.
Coraline observou o gato andar lentamente pelo gramado. Passou por trás de uma árvore e olhou por detrás. O gato havia sumido.
Coraline caminhou de volta para casa. Outro som sutil se fez ouvir por trás dela. Era ele.
– A propósito – disse – foi sensato da sua parte trazer proteção. Eu me agarraria a ela, se fosse você.
– Proteção?
– Foi o que eu disse – respondeu o gato. – E de qualquer modo…
Fez uma pausa e fixou o olhar em algo que não estava lá.
Então, abaixou-se e avançou lentamente uns dois ou três passos. Parecia espreitar um rato invisível. Virou o rabo abruptamente e disparou para o bosque.
Desapareceu entre as árvores.”

Ao final do filme, quando se pensa estar tudo bem e todos estarem felizes o gato aparece por cima de uma placa e passa para o outro lado do poste, sumindo.

Será que o mundo oculto e sombrio ainda está lá?

Cena do filme Coraline.

Cena do filme Coraline.

SOBRE O AUTOR – NEIL GAIMAN

neil gaiman foto perfilNeil Richard Gaiman nasceu em 1960 na Inglaterra. É autor de ficções, novelas, histórias em quadrinhos, teatro e filmes. Suas obras mais notáveis incluem “The Sandman” e as novelas “Stardust”, “American Gods”, “Coraline” e “The Graveyard Book”. Ganhou diversos prêmios incluindo Hugo, Nebula e Bram Stoker. Em 2013 o livro “O Oceano no Fim do Caminho” foi votado o livro do ano no British National Book Awards. (Foto: Google Imagens)

Para mais informações clique:
Site Oficial do Filme Coraline (em inglês) 
Trailer Oficial do filme (em inglês) 
Focus Features – empresa que lançou o filme (em inglês)
Você encontra o livro e a história em quadrinhos para venda no site da Amazon.

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