Uma História de Silêncio (Lloyd Jones)

Título: Uma história de silêncio
Título Original: A history of silence
Autor: Lloyd Jones
Tradução: Léa Viveiros de Castro
Ano de Publicação Original: 2013
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2014
Editora: Rocco
Número de Páginas: 270
Gênero: Biografia

Resenha por Barbara Filippini

Confesso que comecei a ler este livro meio às cegas. Fui à livraria tomar um café com meu marido e antes de sentar lá nas cadeiras da cafeteria fui dar uma olhada nos livros da estante mais próxima. Puxei este que vos apresento. Li as orelhas e o texto na contra capa, achei lindo o visual gráfico da edição e resolvi levar. Comecei a ler no mesmo dia! E me surpreendi positivamente! (Tão bom quando isso acontece, né?!) – fiquei até com vontade de ir à Nova Zelândia!

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Foto: Barbara Filippini.

Texto da contra-capa: Quando criança, o escritor Lloyd Jones informava o endereço de casa sempre que alguém na escola lhe perguntava sobre sua origem. Era motivo de riso. Mais de 40 anos depois , diante de uma igreja destruída pelo terremoto que arrasou Nova Zelândia em 2011, um plano começou a tomar forma. Era preciso procurar as pedras originais do seu passado para reagrupá-las.

O autor começa dando a indicar que o livro irá ser uma narrativa/relato sobre os terremotos que atingiram a Nova Zelândia em 2011, mas esse é só o estopim para seguir com sua própria história e de sua família, que viveram na região de Christchurch.

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Localização de Christchurch (Google Maps)

Lloyd Jones viveu em um ambiente familiar em que os parentes mais próximos eram os pais e os irmão, apenas. Toda sua árvore familiar era obscurecida por histórias incertas e superficiais. Até uma altura de sua vida, Lloyd não chegou a pesquisar muita coisa sobre seu passado, porém em 2011 – e já morando em outro continente – ele é chamado a escrever uma reportagem sobre a região da Nova Zelândia em que ocorreram os terremotos e, desta forma, ele resolve voltar à sua terra natal, Christchurch.

Chegando lá ele se depara com uma total desordem, pois a cidade sofreu um terremoto em fevereiro e outro logo em junho, não tendo tempo de se reerguer. E o pior, a terra liquefeita subiu por sobre o asfalto rachado alagando tudo – isso também é relatado no livro na p.71.

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Igreja de Christchurch (Nova Zelândia) antes do terremoto de fevereiro de 2011 (Igreja citada no livro). – Foto de Greg O’Beirne.

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Igreja de Christchurch (Nova Zelândia) após os terremotos de fevereiro de 2011 – foto de Martin Hunter/Getty Images.

Frente à essa imagem de destruição ele vê a tentativa de reconstrução e sente vontade de também reconstruir a si mesmo por meio da reconstituição dos passos de sua família por lado materno. Descobre diversos detalhes e por suas andanças chega a investigar até parte do Reino Unido. Se atenta para “lendas” de família que nunca tiveram embasamento verdadeiro, mas só eram coberta para o passado.

As bases tomam muitas formas – textura, linguagem, herança, direitos. Algumas coisas são fortes o bastante para serem lembradas, enquanto que outras caem no esquecimento. Nosso mundo tempestuoso aos poucos deu lugar a outro. Eu via não tanto as coisas que permaneceram em pé, mas os espaços vazios e as fissuras. Como o menino da fotografia, eu me concentrei num portal de memória que, em diferentes momentos, mostrava alguns incidentes de forma extremamente detalhada e outros que tinham sido descartados, mas que permaneciam desafiadoramente no mesmo lugar, como que esperando para serem içados do abismo onde ficam todas as coisas perdidas.
Algo ficou claro. A sequência usada pelos pedreiros na basílica não estava disponível para mim. Nem todos os pedaços tinham sido encontrados. Entretanto, uma imagem começou a surgir do mundo que eu tinha achado, como acontece com um imigrante ao avistar os promontórios ao longe pela primeira vez, antes de passar por eles e considerá-los conhecidos.” (p. 46-47)

A narrativa do autor é suave e constante, é um livro para se pensar a vida não como algo que chega de forma arrebatadora e devastadora e com isso só traz malefícios, mas também perceber que apesar dos abalos e dos terremotos sofridos sempre podemos com os pequenos pedaços ir moldando nossa estrutura.

Indico a leitura!

SOBRE O AUTOR – LLOYD JONES
https://www.flickr.com/photos/75578935@N07/
Nasceu na Nova Zelândia em 1955. Com dezenas de romance já publicados, é autor do premiado “Sr. Pip”, vencedor do Commonwealth Prize, e de “Mundos Roubados”. Para mais informações sobre o autor clique aqui. (Foto: NZatFrankfurt)

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