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A máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe)

por Barbara Filippini

Título: A máquina de fazer espanhóis
Autor: Valter Hugo Mãe
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2015
Editora: Cosac Naify
Capa: Lourenço Mutarelli (Obra: Pássaros Negros, 2011)
Número de Páginas: 256
Gênero: Drama – Ficção Portuguesa – Ficção

Esse é um daqueles livros que nos faz pensar no sentido da vida e em como somos frágeis. Nos faz pensar na velhice e em como os velhinhos a encaram. Em como nós vamos encarar o tempo vivido quando chegarmos lá, se tivermos a sorte de chegar. A história narrada nesse livro é a de Antônio Jorge da Silva, um idoso que se vê repentinamente em um asilo logo após perder a esposa que, durante décadas, tanto amou.

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Foto: Barbara Filippini 

No asilo Antônio passa a viver experiências que nunca sonhou que aconteceriam, percebe que a velhice traz esquecimento e remorso – como bem expressado por Lourenço Mutarelli em comentário ao livro: “o velho é uma máquina já desgastada”. Conhece outros idosos e até um que se diz fazer parte do poema Tabacaria de Fernando Pessoa (aquele “sem metafísica”). Toda essa vivência vem carregada de um tempo vivido sob a ditadura de Salazar e o pessimismo impregnado no ar absorvido por um corpo já cansado de viver. Nesse tempo Portugal virou uma máquina que acabava por espantar as pessoas de si mesma – por isso também o título “A máquina de fazer espanhóis”.

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Capa da edição de 2015 da Editora Cosac Naify com a obra “Pássaros Negros” (2011) de Lourenço Mutarelli. (Foto: Barbara Filippini)

Esse livro é sobre tristeza, mas também sobre amor. É sobre saudade, remorso traduzido em pássaros negros que rodopiam os pensamentos de quem já viveu demais… mas também é sobre viver até os últimos segundos com a certeza de que se fez presente.

SOBRE O AUTOR – VALTER HUGO MÃE

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Foto retirada do Facebook oficial do Autor. Referente à 14 de setembro de 2016, na Feira do Livro do Porto (Primeira leitura pública de um excerto de “Homens Imprudentemente Poéticos”).

É português, nascido em Sourimo, Angola, no ano de 1971. Estudou Direito e Literatura Portuguesa moderna e contemporânea em Portugal, onde vive desde a infância. Publicou os romances Nosso Reino (2004); O remorso de Baltazar serapião (2006 – prêmio literário José Saramago); A máquina de fazer espanhóis (2010 – Prêmio Portugal Telecom de melhor romance); O apocalipse dos trabalhadores (2011); o filho de mil homens (2012) e A desumanização (2014). Os seus poemas reuniram-se, em Portugal, no volume Contabilidade. Recebeu o Prêmio de Poesia Almeida Garret. Também foi reconhecido com a Pena de Camilo Castelo Branco e com o troféu Figura do Futuro. Escreveu alguns livros infatojuvenis, entre os quais O paraíso são os outros, em parceria com o artista plástico Nuno Cais. Esporadicamente dedica-se ao desenho e à música. Escreve as colunas autobiografia imaginária, no Jornal de Letras, e Casa de Papel, no jornal público. Apresenta um programa de entrevistas num canal de televisão português. Outras informações podem ser encontradas na sua página oficial no Facebook.

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