Como escolher um livro?

por Juliano Filippini

Como escolher um livro? (Ou seria ser escolhido por um?)

Não digo aqui de algum livro que você talvez tenha ouvido falar à respeito por um amigo, por uma resenha em um blog ou mesmo em um jornal ou em uma revista. Mas aquele livro que está na livraria, na biblioteca, na sebo… aquele título e aquele autor que nunca se ouviu falar, que não se sabe nada sobre mas que parece, magicamente, chamar; que brilha em meio aos outros, reclama ser tocado, folhado, cheirado, degustado… e, finalmente, lido (apesar de que ler não necessariamente seria o final, mas tão somente uma parte, ou um aspecto do começo, da possível transformação que o livro causará no leitor e nas pessoas próximas – nas conversas, nas indicações que dele serão feitas, nas novas leituras que dele partirão – talvez a escolha de um livro seja, realmente, apenas o começo de uma nova vida, de uma integração totalmente diferente com a vida e da vida que atualmente se vive…)

… Quase me perdi por aqui. Vamos voltar. Como escolher um livro? Parece claro que se escolhe pelo título – quase pela capa –, normalmente aquele com o qual se tem alguma afinidade ou que desperta uma curiosidade pelo desconhecido. Mas não é bem disso que quero falar. Mas sim do passo seguinte. O livro já está em mãos. Por um bom tempo de minha vida para escolher o livro olhava o índice, lia a orelha, um pouco sobre quem o escreveu, a parte de trás, qualquer informação de fácil acesso disponibilizada pela própria editora. No entanto, a escolha com base nisso por muitas vezes acabou sendo frustrante. Frustrante por dois aspectos – escolher alguns livros supervalorizados pela “orelha”, mas com um conteúdo nada similar (ou a orelha conseguiu simplesmente tirar toda a surpresa que faria com que o livro não se tornasse apenas mais um livro) ou então deixar de escolher algum livro pelo vazio deixado pela “orelha”.

Em razão disso decidi não mais ler a “orelha”. Descartá-la como se fosse algo que não fizesse parte do livro (tenho minhas dúvidas se deveria fazer). No lugar disso resolvi tentar o óbvio (como não pensei nisso antes daquele momento?). Como escolher o livro? Lendo-o! Sim! Não há nada melhor para saber a qualidade do livro (e não entendam esse ‘qualidade’ como livro bom/livro ruim) do que lê-lo. Dez páginas, cinco, por vezes somente uma, normalmente já é o suficiente para perceber o autor, o tipo de narrativa, o desenvolvimento dado, a profundidade ou falta dela e, por muitas vezes, até um pouquinho de transformação.

Foi assim que conheci, dentre outros, autores como George Bataille, William Faulkner, com Palmeiras Selvagens, Bertold Brecht, Tzvetan Todorov e mais recentemente Witold Gombrowicz e Cristovão Tezza, os quais só de começar a ler já fizeram com que derramasse lágrimas. Não de tristeza, mas de alegria, êxtase, maravilhamento e, de certo modo, apequenamento diante da sublimidade com a qual aquelas obras se mostraram.

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2 Resultados

  1. Laura Calais disse:

    Ameii o post ❤️

  2. Eu nunca leio as orelhas ou sinopses. Adoro livrarias e bibliotecas, mas raramente compro livro em livraria física ou pego livro em bibliotecas. Hj com os canais, já tenho alguns q tem o perfil parecido com o meu e aí sigo as indicações, se o meu bolso permitir.

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