O Museu do Silêncio (Yoko Ogawa)

Título: O museu do silêncio
Título Original: Chinmoku hakubutsukan
Autor: Yoko Ogawa
Tradução: Rita Kohl
Ano de Publicação Original: 2000
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2016
Editora: Estação Liberdade
Número de Páginas: 300
Gênero: Romance – suspense
*exemplar cedido pela editora.

Resenha por Barbara Filippini

A ideia de “O Museu do Silêncio” é incrível e traz aspectos muito originais em sua trama e, de forma resumida, a história diz respeito à um museólogo que é chamado a trabalhar em uma vila para uma velha que vive junto à sua filha, criada e jardineiro; esses dois últimos em uma casa construída ao fundo da mansão da velha. A ideia é que o museólogo organize todas as peças que a velha recolheu durante toda sua vida de pessoas que morreram na vila, organizando assim um “museu do silêncio”, mas não é qualquer peça… só pode ser coletada a peça que traga expressamente a essência da pessoa que morreu.

O museólogo, depois de ser escolhido após diversas outras tentativas feitas antes dele, é avisado de que a velha é muito hostil e “bocuda”, após um breve estranhamento inicial ele se instala em uma casa aos fundos da mansão logo ao lado da casa do jardineiro e daí decorre a trama. A história inteira não cita nomes, mas apenas indicativos como: museólogo, jardineiro, velha e criada, trazendo um ponto positivo à trama que não é ligada diretamente a algum lugar ou cultura específica e, nesse caso, favorece a escrita.

Pode-se ver que o caráter narrativo de Yoko Ogawa segue um fluxo que envolve o leitor, mas deixa a desejar no aspecto de força e “espírito do texto”. Bem, o que quero dizer com isso? A leitura é agradável, de certa forma é até sim um bom passatempo, mas não traz nada a mais para quem lê – é oca. Peca em não abrir pontos chave de forma ampla ao leitor, já que tem uma escrita muito superficial e fraca, quebrável a qualquer meio parágrafo.

Eu sinto muita falta desse “espírito do texto” em diversas leituras que faço, a falta disso empobrece o texto e mais, me deixa com uma sensação de que o autor estava com todas as “cartas na manga”, mas não soube usá-las. Yoko Ogawa usa diversos trunfos ao longo de sua escrita e nos deixa a beira de uma leve ansiosidade para saber o que decorrerá daquilo, mas da mesma forma que é aberto o tópico ele já cai por terra para dar espaço a outro tópico – isso faz com que vários pontos excelentes de abertura na trama acabem morrendo secos.

Bem, quanto à edição que li: é da Editora Estação Liberdade e é impecável! Como vocês podem ver na foto ela veio com um marca-páginas lindíssimo! Como sempre a Editora Estação Liberdade é delicada em tudo que produz, trazendo sempre o melhor ao leitor(a).

Caso queira uma leitura de passatempo leve e suave para uma tarde de domingo ou um dia mais calmo, é uma boa pedida. Minha nota foi para o livro foi igual à do Cadão Volpato (em resenha na Folha de São Paulo): 3 estrelas (de um total de 5).

224.jpeg

Imagem: Folha de São Paulo

SOBRE A AUTORA – YOKO OGAWA

Nasceu em Okayama, Japão, em 1962. Sua vocação leitora foi despertada precocemente por clássicos infantis, graças a um sistema de assinatura de livros de que a família dispunha. Gosta de citar “O Diário de Anne Frank”como uma referência decisiva no sentido de perceber a escrita como via de autoexpressão. Estudou escrita criativa e publicou, até hoje, cerca de 20 livros, entre ficção e não ficção. Arrebatou todos os prêmios referenciais do meio literário japonês, entre os quais o Akutagawa pela novela “Ninshin Karenda (Diário da Gravidez)”, o Yomiuri por “Hakase no aishita sushiki (A fórmula preferida do professo)”, o Izumi Kyota por “Burafuman no maiso (o tenterro do Brahman)” e o Tanizaki por “Mina no Koshin (A Marcha de mina). “A fórmula preferida do professor” foi vertida para o cinema por Takashi Koizumi, ex-assistente de Akira Kurosawa. Yoko Ogawa vive atualmente em Ashiya, Hyogo – nas proximidades de Kyoto – com marido e o filho. (Informações da biografia retiradas da orelha do livro desta edição lida).

Você pode gostar...

4 Resultados

  1. Samantha M. disse:

    Olá, Bárbara,

    confesso que comecei a me empolgar com o livro quando você descreveu o que se passa na história, mas logo em seguida me desanimei porque também sinto falta desse “espírito” nas leituras.

    Eu não conhecia a autora, mas é sempre bom navegar por águas desconhecidas e aparentemente depois do Murakami estourar por aqui,as editoras estão apostando em outros nipônicos. rs

    Beijo.

    • Oi, Samantha! Foi bem isso que senti também, que bom que consegui transpassar a ideia. A história realmente nos faz querer ler o livro, mas aí vem a decepção pós leitura e isso é tão ruim, né?! Quanto aos livros com autores nipônicos: a editora estação liberdade tem um catálogo gigante com autores orientais! Inclusive tenho alguns que amo como o Natsume Soseki (já leu algo dele? Acho incrível!).
      Beijos!

  1. 16 de Abril de 2017

    […] por aqui. Eu já havia resenhado o livro “Museu do Silêncio” (você pode acessar clicando AQUI). Para começar, vamos aos pontos […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *