livro foto capa o aleph jorge luis borges

O Aleph (Jorge Luis Borges)

Título: O Aleph
Título Original: El Aleph
Autor: Jorge Luis Borges
Tradução: Davi Arrigucci Jr.
Ano de Publicação Original: 1949
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2015
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 156
Palavras-chave: Contos Argentinos / Literatura Latino-Americana / Borges

Resenha por Barbara Filippini.

Borges… que tem me atirado à cabeça certos pensamentos tão fundos que me incomodo a lê-lo. Desfere golpes. Esse livro tem uma coletânea de ensaios (ou contos?) dos quais gostei mais do “O Aleph” e “O Imortal”; o último e o primeiro do livro, respectivamente. De narrativa rica e densa, os textos de Borges simplesmente perscrutam cada pedacinho da alma sem que tenha se dado conta. Do fantástico ao cotidiano. E, por que não?, do fantástico cotidiano.

Eu me perco um pouco a resenhá-lo porque gostaria de dizer muito mais do que estou a dizer – creio não ser suficiente. Esse autor me apareceu por uma indicação precisa, no que antes só havia ouvido falar e agora o ouço falar em minha cabeça. Bela indicação.

Não consigo ver muito de surreal em suas obras como todos dizem porque sinto que a irrealidade passada nas palavras meio que se mesclam com aqueles sonhos que temos e acordamos a tentar rememorá-los. Sabemos que são nossos, que estão em nossa cabeça e formados por nós. Fazemos que até um pouco esses sonhos sejam reais, na percepção que permanece ao longo do dia, ou dos dias. É o irreal que mora em mim e mora em qualquer um de nós. Vamos vivê-lo.

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Foto: Barbara Filippini

Sobre o conto “O Aleph”:

Em “O Aleph” existe um ponto em que vemos todo o mundo por um ponto e pelo ponto todo o mundo e disso estamos a reviver e a viver tudo ao mesmo tempo e agora chamado Aleph. Temos a sensação de conseguirmos distinguir tudo que vivemos a partir de então e além, sensação de saber o universo. Mas emergimos desse Aleph que é só um símbolo para nossa própria essência. É um arquétipo. Se sairmos demais de nós o tempo passa, as linhas tornam-se mais tênues. Nos tornamos fantasmas de nós, as memórias esvanecem.

O Aleph para mim é a vontade de viver o agora e ver tudo que se possa ver ao mesmo tempo extraordinariamente intenso – olhar para si mesmo e para sua própria intensidade de viver. Quando deixamos essa brilho para trás e o demolimos, passamos a viver a vida nos passos cotidianos e sem brilho. Passamos a viver a vida na morte de Beatriz, em que as linhas de sua expressão já ficam ao longe e deixam de fazer parte do mundo. Nos ausentamos do mundo sem que essa ausência traga essência e perdemos o nosso tempo para a morte, a adiantamos.

SOBRE O AUTOR – JORGE LUIS BORGES

01268_ggJorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e faleceu em Genebra, em 14 de junho de 1986. Antes de falar espanhol, aprendeu com a avó paterna a língua inglesa, idioma em que fez suas primeiras leituras. Em 1914 foi com a família para a Suíça, onde completou os estudos secundários. Em 1919, nova mudança – agora para a Espanha. Lá, ligou-se ao movimento de vanguarda literária do ultraísmo. De volta à Argentina, publicou três livros de poesia na década de 1920 e, a partir da década seguinte, os contos que lhe dariam fama universal, quase sempre na revista Sur, que também editaria seus livros de ficção. Funcionário da Biblioteca Municipal Miguel Cané a partir de 1937, dela foi afastado em 1946 por Perón. Em 1955 seria nomeado diretor da Biblioteca Nacional. Em 1956, quando passou a lecionar literatura inglesa e americana na Universidade de Buenos Aires, os oftalmologistas já o tinham proibido de ler e escrever. Era a cegueira, que se instalava como um lento crepúsculo. Seu imenso reconhecimento internacional começou em 1961, quando recebeu, junto com Samuel Beckett, o prêmio Formentor dos International Publishers – o primeiro de uma longa série. (Biografia do autor foi retirada do site da Editora Companhia das Letras)

2 opiniões sobre “O Aleph (Jorge Luis Borges)”

  1. Olá Barbara! Não podia deixar de vir aqui comentar sobre um dos meus escritores preferidos e que mais influencia a literatura que eu escrevo. Achei interessante você chamar os contos desse livro de ensaios, primeiro porque alguém uma vez disse (não vou lembrar quem agora) que os contos do Borges são poemas, os poemas são ensaios e seus ensaios são como contos, então essa mistureba deve valer para contos serem encarados facilmente como ensaios também aaheauehua, segundo que eu mesmo acho que alguns contos tem muita cara de ensaio, como por exemplo A Testemunha, que é uma reflexão do autor sobre a memoria e a perda, um conto que mal dá duas paginas e te faz pensar muito. Do Aleph gosto também muito do conto A Biografia de Tadeo Isidoro Cruz, talvez o que tem mais cara de conto do livro e por envolver temas que eu gosto muito de ler em borges como as guerras gauchas e o jogo de espelhos. Otima resenha e abraços!

    (Victor)

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fico feliz que tenha gostado! Pois é… Às vezes sinto tanto como ensaios, em outros momentos como contos. Acho que ele meio que escorre por todos esses títulos de escrita. Daria para escrever muito mais sobre a escrita dele, achei fascinante! 😊

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