capa o alienista machado de assis

O Alienista (Machado de Assis)

por Barbara Filippini

Título: “O Alienista”
Título Original: “O Alienista”
Autor: Machado de Assis
Ano de Publicação: 1881
Ano de Publicação dessa edição no Brasil: 2014
Editora: Penguin & Companhia das Letras
Número de Páginas: 99

Foi escrito pelo autor Machado de Assis foi em 1881, porém foi publicado primeiramente em partes entre outubro de 1881 e março de 1882, na Gazeta de Notícias. Posteriormente esse conto foi anexado ao livro “Papéis Avulsos”, juntamente com outros contos curtos.

Sinopse: “Clássico da literatura brasileira, este texto de Machado de Assis continua sendo, 130 anos depois de sua publicação original, uma das mais devastadoras observações sobre a insanidade a que pode chegar a ciência. Tão arrebatador quanto deleitante, O alienista é uma dessas joias da ficção breve da literatura mundial. Médico, Simão Bacamarte passa a se interessar pela psiquiatria, iniciando um estudo sobre a loucura em Itaguaí, onde funda a Casa Verde – um típico hospício oitocentista –, arregimentando cobaias humanas para seus experimentos. O que se segue é uma história surpreendente e atual em seu debate sobre desvios e normalidade, loucura e razão. Ensaio sobre os descaminhos da ciência, sátira política e comédia de costumes, O Alienista conta, nesta edição, com esclarecedora introdução do crítico britânico John Gledson, um dos grandes intérpretes do autor brasileiro, e notas do professor da USP Hélio Guimarães.”

Não sou uma especialista em Machado de Assis, mas aprecio muito a escrita e contornos de suas histórias. Em minha opinião um tanto quanto distante, pude perceber e reafirmar, neste livro, o quão atemporal é a escrita deste grande autor. Ao mesmo tempo que ambienta a narrativa toda no fim do período colonial do Brasil ele também a eleva a um patamar universal das relações sociais.

Ora, no desenrolar da história percebe-se como é encantador desvelar os personagens e perceber o quanto estão vivos entre os que nos cercam nos tempos atuais. Digo isto porque o livro toca em questões (políticas, sociais, científicas e também – por que não? – de gênero) muito presentes no tempo em que vivemos. Somos pessoas, vistas como um todo de equilíbrio e desequilíbrio de sentimentos e ações. Somos humanos e ora acertamos ora erramos. Isso, basicamente, está implícito no livro.

Se apontarmos certa atitude como loucura em alguém, certamente encontraremos outros tantos que também possuem essa “loucura” desenvolvida. Podemos “adoentar” atitudes que deveriam ser perfeitamente aceitas somente pelo fato de não aceitarmos que somos pessoas e somos, desde modo, todos iguais em nossas diferenças – somos humanos e estamos de igual para igual neste aspecto de ser uma pessoa acima de tudo.

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Foto: Barbara Filippini

O processo de “cientifização” das atitudes humanas observado no livro acontece todo dia em nossos meios sociais. Estamos o tempo todo sendo julgados pelos nossos atos, vontades e escolhas e, muitas vezes, temos dedos apontados para nós, nos dizendo que o que fazemos precisa de “tratamento” ou não é “natural”. Por que não seria natural ter certas vontades e não outras? Ter certas inclinações para este ou aquele gosto? O “correto” acaba sendo camuflar-se, não se ser o que se é. A trama desse livro mostra personagens tendo que agir de maneiras a que nunca se submeteriam para poderem provar que são aptos para a sociedade, que não são mentecaptos (utilizando-me do termo que o próprio autor utilizou).

A longa crítica que o livro faz é trazida de forma leve e algumas vezes até cômica; é um livro curto, podendo ser lido em algumas horas, e também de uma escrita muito fluída. Apesar de pequeno, o livro traz uma grande mensagem para ser captada e até mesmo comparada com os tempos que vivemos.

SOBRE O AUTOR – MACHADO DE ASSIS

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Machado de Assis aos 57 anos.

Machado de Assis nasceu em 1839, no Morro do Livramento, nos arredores do centro do Rio de Janeiro. Publicou sua primeira poesia pouco antes de completar 15 anos, no “Periódico dos Pobres”. Em 1855 passou a colaborar na “Marmota Fluminense”, editada pelo livreiro Francisco de Paula Brito, para quem Machado trabalhou como revisor e caixeiro. Em 1856 entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, onde conheceu o romancista Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Passou então a colaborar em diversos jornais e revistas. Lançou seu primeiro livro de poesias, “Crisálidas”, em 1864. “Contos fluminenses”, sua primeira coletânea de histórias curtas, saiu em 1870, Dois anos depois, veio a lume o primeiro romance “Ressurreição”. Ao longo da década de 1870, publicaria mais três: “A mão e a luva”, “Helena” e “Iaiá Garcia”. Seu primeiro grande romance, no entanto, foi “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, publicado em 1881, marco da maturidade do escritor. Depois disso, publicou ainda outros quatro: “Quincas Borba”, em 1891; “Dom Casmurro”, em 1899; “Esaú e Jacó”, em 1904; e “Memorial de Aires”, em 1908. “Papéis Avulsos”, de 1822, foi sua primeira coletânea de contos dessa nova fase”. Em dezembro de 1881, com “Teoria do Medalhão”, começou a colaborar na Gazeta de Notícias. Ao longo de dezesseis anos, até 1897, escreveria para esse jornal mais de quatrocentas crônicas. Além disso, escreveu ainda peças de teatro e páginas de crítica. Em 1897, foi eleito presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição que ajudara a funda no ano anterior. Em 1904, tornou-se membro correspondente da Academia das Ciências em Lisboa. Morreu em 29 de setembro de 1908, aos 69 anos de idade. É considerado o maior escritor da literatura brasileira. – Informação retirada do início da edição da Penguin & Companhia das Letras – 2014, de “O Alienista”.

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4 opiniões sobre “O Alienista (Machado de Assis)”

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