Dez contos escolhidos (Eça de Queirós)

Título: Dez contos escolhidos
Autor: Eça de Queirós      
ISBN: 978-85-03-01314-7
Número de Páginas: 255
Editora: José Olympio       
Ano de Publicação Original: 2017
Capa: Tulio Cerquize
Palavras-chave:
 Conto português
*Exemplar cedido pela editora

Resenha por Barbara Filippini.  Dez contos escolhidos (2) Eça de Queirós

Uma antologia maravilhosa de 10 contos do Eça de Queirós com os quais me deliciei ao longo de duas semanas, porque fui lendo com doses moderadas. O mais legal dos livros de contos é que você pode repartir e ir lendo em doses homeopáticas sem desfavorecer o ritmo da trama.

Esta antologia exclusiva de Eça de Queirós reúne contos consagrados e algumas narrativas menos conhecidas no Brasil: juntos compõe um panorama dos temas característicos da obra do grande autor português. Seja pela crítica direta aos costumes de sua época ou pela alegoria de situações que mudam a sociedade. Eça escreveu sobre o comportamento humano, do qual era arguto observador. Sempre em linguagem leve e direta, usando das sutilezas como tempero: o principal eram os personagens e suas histórias. Um talento que o projetou como mestre do romance português moderno e que também pode ser conferido por meio de seus contos

Eça é um daqueles autores que usava como truque principal a descrição de situações para enredar o leitor, e o faz tão bem que é difícil você querer deixar o conto do lado depois de cair completamente na armadilha textual. Para dar um gostinho do que vocês vão encontrar aqui vai uma passagem do primeiro conto “O Defunto”:

Mas essa curta visita a Nossa Senhora do Pilar bastou para que D. Rui se namorasse dela tresloucadamente, na manhã de maio em que a viu de joelhos ante ao altar, numa réstia de sol, aureolada pelos seus cabelos de ouro, com as compridas pestanas pendidas sobre o Livro das Horas, o rosário caindo dentre os dedos finos, fina toda ela e macia, e branca, de uma brancura de lírio aberto na sombra, mais branca entre as rendas negras e os negros cetins que à volta do seu corpo cheio de graça se quebravam, em pregas duras, sobre as lajes da capela, velhas lajes de sepulturas”. p.48.

Nesse breve livro de contos conseguimos encontrar o mundo de Eça, é um jeito rápido de conhecermos o autor. Para que se tenha uma ideia mais ampla vou colocar aqui uma datação e breves informações sobre os contos:

  • Singularidades de uma rapariga loura (1902): é a história de amor de Macário, que mora em uma estalagem do tio. Chegou a inspirar um filme em 2009, diretor Manoel de Oliveira.

Eça de Queirós

  • O Defunto (1895): é um conto que pode ser catalogado como literatura gótica ou fantástica. Foi publicado pela primeira vez na Gazeta de Notícias e depois incluído na compilação “Contos”, em 1902. A história transcorre em 1474 em Segóvia e conta a história da paixão de D. Rui.
  • José Matias (1897): publicado pela primeira vez na Revista Moderna, foi posteriormente incluído na compilação Contos de 1902. Narra a história de amor platônico de José Matias por Elisa. Esse conto pode ser analisado sobre a dicotomia do amor carnal versus amor espiritual.
  • A Aia (1902): publicado originalmente em uma coletânea denominada Contos. Narra a história de uma aia que amamenta um príncipe, tratando de valores como fidelidade e lealdade.
  • Um dia de chuva (Escrito no final da vida de Eça de Queirós, década de 1890): narração que começa com um milionário querendo comprar uma casa de campo, mas fica ilhado por uma chuva torrencial. Uma casa vazia, mas mesmo assim muito cheia de histórias. Foi também editada individualmente pela editora, que não mais existe, Cosac Naify (Micro filme abaixo mostrando a obra).

  • Frei Genebro: conta a história de um padre, discípulo de São Francisco de Assis, que guia sua vida com ações de modo a quando morrer poder ir para o céu.
  • O Suave Milagre: o tempo dessa história situa-se na velha Palestina, quando Jesus ainda estava vivo a espalhar milagres.
  • Um Poeta Lírico (1880): publicado originalmente em O Atlântico, depois incluído em Contos (1902). Narra a triste história de Korriscosso, um poeta apaixonado que passou seus dias a trabalhar em um restaurante.

Às vezes, encostado a uma janela, de guardanapo no braço, Korriscosso está fazendo uma elegia; são tudo luares, roupagens alvas de virgens pálidas, horizontes celestes, flores da alma dolorida… É feliz; está remontado aos céus poéticos, nas planícies azuladas onde os sonhos acampam, galopando de estrela em estrela… de repente, uma grossa voz faminta berra de um canto:
– Bife e batatas!
Ai! As aladas fantasias batem voo como pombas espavoridas! E aí vem o infeliz Korriscosso, precipitado – dos cimos ideias, de ombros vergados e as abas da casaca balouçando, perguntar com o sorriso lívido:
– Passado ou meio cru?
” p. 200.

  • No Moinho (1902): publicado na coletânea Contos, é um conto naturalista. Maria da Piedade era comparada a uma fada por cuidar de uma família em farrapos e doente. Até conhecer o primo de seu marido e se apaixonar.
  • Civilização: narra a vida de Jacinto, que vivia em um luxo extremo e depois descobriu a vida simples. Esse conto foi publicado no jornal de notícias do Rio de Janeiro em 1892. Também serviu como base para “A Cidade e as Serras”.

SOBRE O AUTOR – EÇA DE QUEIRÓS

Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós nasceu em Póvia de Varzim em 25 de novembro de 1845 e faleceu em Paris no dia 16 de agosto de 1900. Foi um dos mais importantes escritores portugueses da história. Escreveu romances de reconhecida importância, entre eles “Os Maias, “O Crime do Padre Amaro” e outros (Foto e biografia do autor: Wikipédia).

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *