O Sentido de um fim (Julian Barnes)

Título: O Sentido de um Fim
Título Original: The Sense of an ending
Autor: Julian Barnes
Número de Páginas: 150

——– SPOILER ALLERT——–

(não tenho como fazer uma crítica sobre “O sentido de um fim” sem citar partes essenciais para tanto. Caso você queira ler o livro antes e depois a crítica, aqui fica o aviso. Caso você não se importe em ter algumas informações acerca da narrativa, então vamos em frente! )

Resenha por Barbara Filippini.

o sentido de um fim julian barnes

É no final da vida que o passado aparece como algo físico para Tony. O diário de Adrian aparece como um fantasma, signo relegado por um testamento da mãe de uma ex-namorada. Adrian se matou aos 22 anos, supostamente de forma lógica e analisada minuciosamente em pontos filosóficos deixados em sua carta de despedida. Antes desse ocorrido, Adrian namorou por um ano com Veronica – ex-namorada de Tony.

Tony é pacato e até essa parte do viver dele, a de receber esse testamento, sempre esteve ACOMODADO. Namorou com Veronica, conheceu a família dela, a apresentou aos amigos, transou com ela, terminou com ela e então seguiu sua vida e guardou isso de forma meio apagada na memória.

Existem outros elementos de trama que não vem ao caso agora… como não? Isso mesmo, não vem ao caso. Não são bem os elos fáticos que essa narrativa traz como questionamento. Mastiguei muito seus contornos para enfim ver que “um sentindo do fim” é apenas isso mesmo: um dentre vários, um dentre vários resquícios de memória. É a INQUIETAÇÃO que a vida traz.

A vida está na experiência, a memória é apenas artifício para que possamos olhar para o passado e construir um futuro e um presente. A memória que Tony fez de tudo que viveu até agora, na sua velhice, sempre foi algo deturpado por “porquês” incabíveis e indiretas que nunca existiram. Ele nunca foi do tipo “transparente” e também não foi do tipo “misterioso”; catalogação inventada por Margareth (mulher com a qual Tony foi casado por alguns anos de sua vida) à tipos de mulheres existentes – como se isso fosse pontual.

A história é, em maior escala, uma memória do passado que se acrescenta a nós para que possamos focar no futuro. Não é estanque e nem deve ser. Bem, é INQUIETAÇÃO outra vez. Nietzsche já nos alertava para esse mal estar da história tradicional… a história deve ser experiência. No caso mais pontual: experiência de vida para nos catapultar para o dia seguinte. Para que não nos vejamos como concluídos e nos concluamos a nós mesmos. Para que não nos matemos.

Tony é a personificação da “história tradicional”. O que eu quero dizer com isso? Ele está estanque, sempre querendo colocar aspetos pontuais e viver de forma cautelosa. Sem prestar atenção no que está vivendo, no que está EXPERIMENTANDO. Tony é aquela pessoa sarcástica que vai te mandar um email com indiretas, aquela pessoa que você pergunta A e ela vai te responder B só para não dizer o C e assim fazer um joguinho. Esse é Tony… O pior é que em certa parte da narrativa até que acabamos julgando Veronica por meio da visão de Tony! Veronica viveu, com consequências de vida que provavelmente, em grande parte, culpou a Tony.

Tony, depois de retomar o contato com Veronica, já na velhice, começa a resgatar o passado como se por meio dele fosse extrair respostas e recontar sua história novamente… Viver não é assim e é por isso que Veronica sempre diz a Tony “Você não entende. Você nunca entenderá”, porque a experiência do viver de Tony já se foi ralo abaixo juntamente com sua rotina pacata. Juntamente com seu “UM sentido do fim”.

SOBRE O AUTOR – JULIAN BARNES

julian-barnes o sentido de um fim

Julian Patrick Barnes (Leicester, 19 de janeiro de 1946) é um escritor inglês. Barnes venceu o Prêmio Man Booker pelo seu livro The Sense of an Ending (2011), e três dos seus livros iniciais ficaram entre os finalistas deste Prêmio: Flaubert’s Parrot (1984), England, England (1998), e Arthur & George (2005). Também escreveu ficção criminal sob o pseudônimo de Dan Kavanagh. Adicionalmente aos romances, Barnes publicou coletâneas de ensaios e contos.
Em 2004 tornou-se comendador da Ordem das Artes e das Letras. As suas homenagens também incluem o Prêmio Somerset Maugham e o Prêmio de Memória Geoffrey Faber. (Fonte: biografia do autor: Wikipédia / foto do autor: google imagens)

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