A Grande Fome de Mao (Frank Dikötter)

Título: A Grande Fome de Mao: a história da catástrofe mais devastadora da China, 1959-62
Título Original: Mao’s Great Famine: the History of China’s Most Devasting Catastrophe, 1959-62
Autor: Frank Dikötter
Tradução: Ana Maria Mandim
Ano de Publicação Original: 2010
Ano de Publicação desta edição: 2017
Editora: Record
Número de Páginas: 530
Palavras-chave: Mao Tsé-tung – Grande salto adiante – China – 1962
*exemplar cedido pela editora.

a grande fome de mao

Foto por: Barbara Filippini.

Resenha por Juliano Filippini.

Em “A Grande Fome de Mao” o autor Frank Dikötter narrou os acontecimentos, que ocasionaram a morte de aproximadamente 45 milhões de chineses, de tentativa de expansão da China por meio do comunismo (ou do que se pretendeu chamar deste modo) para ultrapassar a Grã-Bretanha em 15 anos. Para tanto, partiu de arquivos, que só recentemente foram abertos ao público, tanto do próprio partido comunista quanto alguns relacionados ao Ministério das Relações Exteriores e coleções provinciais.

Já no título percebe-se a ironia do autor, uma vez que grande fome de Mao pela expansão industrial da China (e pela promoção de seu nome na história, como relatado no livro) acaba consumindo milhares de vidas, não somente pela fome, mas em decorrência da coerção, terror e violência que teriam assolaram aquele país. Em razão do enorme número de documentos pesquisados (mais de mil) tem-se acesso particularizado a acontecimentos relacionados a indivíduos específicos e de que modo suas vidas foram ceifadas ou levadas ao fim devido ao sofrimento, desespero e humilhação ao qual eram acometidos.

Ainda, o autor tenta compreender, e o faz com certo sucesso, a complexidade do comportamento humano em tempos de catástrofe, ou seja, como questões morais antes fortemente estabelecidas acabam por desmoronar como se jamais tivessem existido ou, então, como o simples ato de “querer mais e conseguir mais” quanto todos tem absolutamente nada acaba contribuindo para a escassez e morte de quem tem menos.

Ao final do livro há um ensaio acerca das fontes utilizadas bem como da bibliografia utilizada (em relação aos arquivos), tanto chinesas quanto não chinesas. Creio ser interessante comentar que a escrita do livro parece um pouco jornalística. Então, não o leia buscando, ou pensando, em literatura – não é essa a proposta do livro.

É um livro triste, mas que deve ser lido.

SOBRE O AUTOR – FRANK DIKÖTTER

frank dikotter photoFrank Dikötter nasceu na Holanda, em 1961, e se formou em História e Russo pela Universidade de Genebra. Após morar dois anos na República Popular da China, mudou-se para Londres. Em 1990, obteve Ph.D. em História pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, onde posteriormente foi professor de História Moderna da China. Desde 2006, é professor catedrático de Humanidades na Universidade de Hong Kong. Pioneiro no uso de fontes do arquivo chinês, publicou mais de dez livros que mudaram visão dos historiadores sobre a China moderna.

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4 Resultados

  1. Uau amei a história, com certeza vou procurar por esse livro

  2. elaine reis disse:

    Fiquei super interessada em ler quando vi na news, mas tive que passar a bola devido ao pouco tempo livre para dedicar atenção.
    Mesmo assim, continuo na vontade.
    Abração pros dois! 🙂

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