O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)

Título: O Planeta do Macacos
Título Original: La planète des singes
Autor: Pierre Boulle
Tradução: André Telles
Ano de Publicação: 2015
Editora: Aleph
Gênero: Ficção científica francesa
Número de Páginas: 209
*exemplar cedido pela editora.

Resenha por Barbara Filippini 

Muitos já devem ter ouvido esse título, ter lido o livro em outra oportunidade (ou ainda querendo ler) ou então chegaram aqui porque o título remete ao filme feito com base na obra (refiro-me ao primeiro de todos, já que depois vieram vários remakes e reboots). Mas eu lhes pergunto: quais os aspectos trazidos pelo autor deste livro? Você, que assistiu o filme, já leu o livro? Ou então o contrário… você, que já viu o filme, leu o livro?

Essas correlações são interessantíssimas para se tirar do livro o que ele traz lá na essência, além de, é claro, entender como o autor escreveu, o porquê, os significados e até a razão de posteriormente vir a se tornar filme.

Basicamente a história do livro vai a partir de um roteiro básico em que uma garrafa com uma história é achada no espaço por dois viajantes espaciais, Jinn e Phyllis. Esta carta é a trama do livro. A carta conta a história do ponto de vista de Ulysse Mérou, o qual desembarca em um sistema chamado Betelgeuse, no planeta Sóror. Lá os humanos são selvagens e os chimpanzés, orangotangos e gorilas são os seres civilizados (esses últimos tendo pequenas diferenças de comportamento entre si). Mérou é capturado pelos civilizados do planeta e aí se desenrola o livro… e eu não vou contar mais – você tem que ler! (Não vou estragar os pontos de surpresa do livro – fique tranquilo).

O Planeta dos macacos, sem dúvida, é um dos marcos do início da produção em massa de artigos ligados à ficção científica (um gênero que muito me agrada! – se você gosta também eu lhe sugiro dar uma boa olhada no catálogo da editora Aleph, eles relançaram vários livros clássicos desse gênero!).

Porém, devemos nos atentar ao fato de não jogá-lo nessa classificação assim, sem mais nem menos. O próprio autor, Pierre Boulle, não entendia a sua obra como ficção científica. E agora você me pergunta: mas como assim?!?! Um livro em que macacos falam e comandam uma sociedade, da onde isso pode ser real?… bom, aí é que vem a parte de interpretação e coligação entre aspectos da obra que eu havia falado anteriormente. O autor queria trazer com o livro diversos apontamentos sobre nós, humanos. E sim, os macacos que estão no livro nada mais representam do que NÓS, humanos. Há apenas uma pequena inversão de papéis entre humanos macacos e macacos humanos.

Alguns dirão que estraguei a magia do livro, mas longe disso! Aí sim é que está a chave da leitura! Mesmo havendo todo um mundo lúdico que envolve espaço e outras galáxias, pode-se ver claramente que sempre estaremos em um retorno de ações humanas, religado ao mimetismo que o próprio protagonista debate no livro. Essa repetição que sempre estamos constantemente vivendo em tudo que fazemos, pensamos e falamos. Pense aí, é ou não é raro algo totalmente original e novo?

Boulle traz também a ideia de relatividade, na qual é difícil estabelecer corretamente quem está no polo “bom” ou “mal”, sem adentrar tanto em aspectos filosóficos – isso muito trazido da vida que o autor teve antes de realmente se dedicar à escrita, já que vivenciou muito da 2ª Guerra Mundial.

O ponto negativo, para mim, está em algumas passagens em que a leitura fica um pouco sem fluência e repetitiva, mas isso o próprio autor em entrevista acaba por reconhecer que aconteceu, posto que não teve tempo suficiente para deixar a obra exatamente do jeito que ele queria.

No final da edição, da editora Aleph, foi colocada uma entrevista feita com o autor esclarecendo alguns pontos da obra. Essa entrevista foi concedida a Jean Claude Morlot, em Paris (em 1972), e publicada no periódico Cinefantastique. Recomendo que leiam! Lá no final também foram colocados alguns textos críticos.

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Foto da edição feita pela Editora Aleph

Outro aspecto a se analisar fica em torno da questão de gênero e o fato de sempre haver uma subordinação do herói na figura masculina que consegue subjugar a figura feminina. No livro essa representação de “herói” é o protagonista Ulysse Mérou e as figuras femininas principais são Nova (uma humana selvagem) e Zira (uma chimpanzé, que, embora seja cientista, não tem muitas liberdades). Aspecto esse que se fosse eu que tivesse escrito o livro não teria sido feito assim.

E o filme? Bom, o primeiro filme feito sobre O Planeta dos Macacos, que teve seus direitos vendidos pelo autor, foi quase todo embasado na obra (exceto por alguns aspectos hollywoodianos que foram inseridos ao longo e no final do filme). Já os outros filmes que vieram depois nada tiveram a ver com a ideia original do autor sobre uma possível continuação cinematográfica da obra. Boulle até chegou a escrever um esboço para que isso fosse efetivado, mas a ideia dele não foi acatada e não seguiu adiante.

Porém, mesmo assim o tema teve uma profusão de remakes e reboots. Inclusive um deles estava para sair esse ano, mas atrasou e só sairá em 2017! ( War of the Planet of the Apes clica aqui para ter uma ideia do que vem por aí! )

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SOBRE O AUTOR – PIERRE BOULLE

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Pierre-François-Marie-Louis Boulle nasceu no dia 20 de fevereiro de 1912 e veio a falecer no dia 30 de janeiro de 1994, na França.

Bastante conhecido pela obra A Ponte do Rio Kwai (1952) e também por O Planeta dos Macacos (1963) ele só se dedicou à escrita depois de formado em Engenharia e trabalhado como agente secreto durante a 2ª Guerra Mundial. Boulle nunca se casou e não chegou a ter filhos.

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